Mais de um mês depois de a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) mandar suspender as transmissões ao vivo do Discord no Brasil, usuários ainda conseguem acessar ferramentas que permitem compartilhar a tela e exibir imagens em tempo real. A brecha foi identificada pela GloboNews, e a agência já cobrou explicações da empresa sobre o possível descumprimento da medida. A ordem foi determinada em agosto depois que a ANPD apontou falhas na proteção de crianças e adolescentes. A suspensão deveria atingir o recurso de live e funcionalidades equivalentes até que o Discord comprovasse a adoção de medidas suficientes para reduzir os riscos. Como a brecha funciona? A GloboNews encontrou pelo menos duas ferramentas dentro da própria seção de “atividades” do Discord que permaneciam disponíveis para usuários brasileiros, sem bloqueio geográfico aparente. Os recursos permitem espelhar a tela e transmitir imagens em tempo real durante chamadas de voz e dentro de servidores. A reportagem optou por não divulgar os nomes nem o passo a passo para acessar as ferramentas, para evitar facilitar seu uso indevido. Procurada após a descoberta, a ANPD solicitou esclarecimentos ao Discord. A agência afirmou que um eventual descumprimento da medida preventiva pode resultar em novas providências, incluindo multa diária. O Discord, por sua vez, afirma oficialmente que os recursos de vídeo e compartilhamento de tela estão indisponíveis no Brasil. A empresa já havia contestado a suspensão e alegado que o prazo inicial de três dias úteis para implementar o bloqueio era tecnicamente inviável. Por que as lives do Discord foram suspensas? A ANPD abriu um processo de fiscalização contra o Discord em agosto para apurar possíveis falhas no cumprimento do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). Entre os pontos investigados estão mecanismos para evitar que menores sejam expostos a conteúdos de indução à automutilação e ao suicídio, sistemas de verificação de idade, remoção de conteúdo e comunicação de violações às autoridades. A legislação permite multas de até R$ 50 milhões por infração caso sejam constatadas irregularidades. A decisão ganhou força após a morte de uma adolescente de 13 anos em julho, em um caso investigado pela polícia envolvendo grupos que atuavam dentro da plataforma. A ANPD afirmou que as transmissões ao vivo vinham sendo usadas repetidamente em episódios envolvendo violência, assédio e indução à automutilação. Segundo a agência, a própria arquitetura técnica do Discord também dificultava a moderação: a plataforma não tinha acesso ao conteúdo audiovisual das transmissões enquanto elas aconteciam, o que impedia análises automáticas em tempo real. Pedidos de derrubada de servidores caíram 43% Dados da Polícia Civil de São Paulo indicam que a suspensão teve impacto sobre a atividade monitorada na plataforma. De acordo com levantamento obtido pelo O Globo, a média mensal de pedidos emergenciais feitos pela polícia para derrubar servidores do Discord caiu de 95 para 54, uma redução de 43%, após a restrição entrar em vigor. O Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil paulista monitora mais de 2 mil alvos em ambientes digitais e afirma já ter prendido 600 agressores desde novembro de 2024. Antes da suspensão, o Discord levava, em média, 17 horas para responder aos pedidos emergenciais de remoção, segundo o levantamento. Discord classificou risco de suicídio como baixo Em seu primeiro relatório de transparência exigido pelo ECA Digital, publicado em setembro, o Discord classificou como baixo o risco final relacionado a suicídio e automutilação entre adolescentes após considerar os controles de segurança existentes. O documento cobre o primeiro semestre de 2026 e, portanto, é anterior ao caso que motivou a suspensão das lives. Nenhuma das categorias avaliadas recebeu classificação de risco alto. Assédio, bullying, conteúdo sexual explícito e exploração sexual, entre outros temas, foram classificados como risco moderado. No mesmo período, usuários brasileiros enviaram 1,12 milhão de denúncias que não envolviam spam, e o Discord registrou 417,2 mil intervenções, incluindo 129,5 mil contas desativadas e 12,4 mil servidores removidos. Veja mais no Canaltech: Entenda as diferenças entre ações contra Discord e TikTok {{WHATSAPP_CHANNEL}}

Mais de um m s depois de a Ag ncia Nacional de Prote o de Dados (ANPD) mandar suspender as transmiss es ao vivo do Discord no Brasil, usu rios ainda conseguem acessar ferramentas que permitem compartilhar a tela e exibir imagens em tempo real. A brecha foi identificada pela GloboNews, e a ag ncia j cobrou explica es da empresa sobre o poss vel descumprimento da medida. A ordem foi determinada em agosto depois que a ANPD apontou falhas na prote o de crian as e adolescentes. A suspens o deveria atingir o recurso de live e funcionalidades equivalentes at que o Discord comprovasse a ado o de medidas suficientes para reduzir os riscos. Como a brecha funciona? A GloboNews encontrou pelo menos duas ferramentas dentro da pr pria se o de “atividades” do Discord que permaneciam dispon veis para usu rios brasileiros, sem bloqueio geogr fico aparente. Os recursos permitem espelhar a tela e transmitir imagens em tempo real durante chamadas de voz e dentro de servidores. A reportagem optou por n o divulgar os nomes nem o passo a passo para acessar as ferramentas, para evitar facilitar seu uso indevido. Procurada ap s a descoberta, a ANPD solicitou esclarecimentos ao Discord. A ag ncia afirmou que um eventual descumprimento da medida preventiva pode resultar em novas provid ncias, incluindo multa di ria. O Discord, por sua vez, afirma oficialmente que os recursos de v deo e compartilhamento de tela est o indispon veis no Brasil. A empresa j havia contestado a suspens o e alegado que o prazo inicial de tr s dias teis para implementar o bloqueio era tecnicamente invi vel. Por que as lives do Discord foram suspensas? A ANPD abriu um processo de fiscaliza o contra o Discord em agosto para apurar poss veis falhas no cumprimento do Estatuto Digital da Crian a e do Adolescente (ECA Digital). Entre os pontos investigados est o mecanismos para evitar que menores sejam expostos a conte dos de indu o automutila o e ao suic dio, sistemas de verifica o de idade, remo o de conte do e comunica o de viola es s autoridades. A legisla o permite multas de at R$ 50 milh es por infra o caso sejam constatadas irregularidades. A decis o ganhou for a ap s a morte de uma adolescente de 13 anos em julho, em um caso investigado pela pol cia envolvendo grupos que atuavam dentro da plataforma. A ANPD afirmou que as transmiss es ao vivo vinham sendo usadas repetidamente em epis dios envolvendo viol ncia, ass dio e indu o automutila o. Segundo a ag ncia, a pr pria arquitetura t cnica do Discord tamb m dificultava a modera o: a plataforma n o tinha acesso ao conte do audiovisual das transmiss es enquanto elas aconteciam, o que impedia an lises autom ticas em tempo real. Pedidos de derrubada de servidores ca ram 43% Dados da Pol cia Civil de S o Paulo indicam que a suspens o teve impacto sobre a atividade monitorada na plataforma. De acordo com levantamento obtido pelo O Globo, a m dia mensal de pedidos emergenciais feitos pela pol cia para derrubar servidores do Discord caiu de 95 para 54, uma redu o de 43%, ap s a restri o entrar em vigor. O N cleo de Observa o e An lise Digital da Pol cia Civil paulista monitora mais de 2 mil alvos em ambientes digitais e afirma j ter prendido 600 agressores desde novembro de 2024. Antes da suspens o, o Discord levava, em m dia, 17 horas para responder aos pedidos emergenciais de remo o, segundo o levantamento. Discord classificou risco de suic dio como baixo Em seu primeiro relat rio de transpar ncia exigido pelo ECA Digital, publicado em setembro, o Discord classificou como baixo o risco final relacionado a suic dio e automutila o entre adolescentes ap s considerar os controles de seguran a existentes. O documento cobre o primeiro semestre de 2026 e, portanto, anterior ao caso que motivou a suspens o das lives. Nenhuma das categorias avaliadas recebeu classifica o de risco alto. Ass dio, bullying, conte do sexual expl cito e explora o sexual, entre outros temas, foram classificados como risco moderado. No mesmo per odo, usu rios brasileiros enviaram 1,12 milh o de den ncias que n o envolviam spam, e o Discord registrou 417,2 mil interven es, incluindo 129,5 mil contas desativadas e 12,4 mil servidores removidos. Veja mais no Canaltech: Entenda as diferen as entre a es contra Discord e TikTok {{WHATSAPP_CHANNEL}}