Convocação da Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Ministra de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva Vinicius Loures / Câmara dos Deputados A candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (Rede) defendeu o fim das emendas parlamentares impositivas e afirmou que os recursos orçamentários hoje direcionados por deputados e senadores deveriam ser canalizados para políticas de enfrentamento das mudanças climáticas. Durante debate promovido pelo SOS Mata Atlântica na quinta-feira (3), a ex-ministra do Meio Ambiente criticou o volume de recursos destinado às emendas e disse que parte relevante do orçamento federal foi "sequestrada" pelo mecanismo. "A minha posição é clara: eu sou contra as emendas impositivas", afirmou Marina. "Nós temos que salvaguardar o que estabelece a Constituição em relação aos recursos que devem ser competência do Executivo", acrescentou. A candidata associou as emendas à perda de capacidade do governo federal para investir em áreas estratégicas e sustentou que parte dos recursos poderia reforçar políticas ambientais, científicas e de desenvolvimento sustentável. Ela também criticou mudanças recentes na legislação ambiental aprovadas pelo Congresso, que, segundo avalia, reduziram instrumentos de proteção ambiental. Marina Silva promete verba à pesquisa em SP e combate ao negacionismo climático "Hoje, as leis estão sendo mudadas para arrefecer a proteção ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais. Mudaram o licenciamento ambiental, retiraram prerrogativas de órgãos como o Ibama, mudaram regras para impedir a destruição de equipamentos usados em crimes ambientais e para dificultar embargos remotos. Esses que usam o dinheiro que era para ir para adaptação, mitigação, ciência, tecnologia e inovação fazem isso para se perpetuar no poder e continuar produzindo atrasos numa agenda que é estratégica para o país", afirmou. O discurso de Marina ocorre em meio ao crescimento contínuo dos recursos controlados pelo Congresso Nacional. O orçamento de 2026 aprovado pelo Legislativo reservou cerca de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares, dos quais quase R$ 38 bilhões correspondem às chamadas emendas impositivas, cuja execução é obrigatória pelo governo federal. Para Marina, o Brasil precisa concentrar esforços em infraestrutura resiliente, restauração de áreas degradadas, pesquisa científica e tecnologias voltadas à economia de baixo carbono. "A gente tem que mudar o modelo de desenvolvimento, a matriz energética, e tudo isso requer recursos financeiros", afirmou. Os candidatos ao Senado por São Paulo: Simone Tebet (MDB), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP). Reprodução/TV Globo Crítica ao tarifaço Durante a entrevista, a candidata também criticou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e associou a medida à atuação de setores políticos brasileiros que, segundo ela, estimulam ações contrárias aos interesses econômicos do país. Marina afirmou que o Senado deve reagir de forma firme a medidas que prejudiquem a produção nacional e citou impactos diretos sobre a economia paulista. Segundo a candidata, o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros retiraria cerca de US$ 11 bilhões da economia do país e provocaria perdas de aproximadamente US$ 4 bilhões apenas em São Paulo, atingindo setores estratégicos da indústria e do agronegócio, incluindo a cadeia do etanol. A candidata disse ainda que a defesa da democracia e da soberania nacional exige posicionamento contrário a iniciativas que possam enfraquecer a economia brasileira. "Acho que ser progressista ou conservador é da democracia. Agora, ser entreguista, isso não é da democracia e não podemos compactuar com esse tipo de coisa", declarou.