Exclusivo: os repórteres Caco Barcellos e Thiago Jock entram no Irã O iraniano que conceder entrevista a um veículo de comunicação de país considerado hostil — especificamente dos Estados Unidos e de Israel — poderá ser condenado a penas que variam de 6 meses a dois anos de prisão. Esta punição é prevista em um projeto de lei aprovado neste domingo (16) pelo Parlamento iraniano, que proíbe também o contato não autorizado com embaixadas, organizações e instituições estrangeiras, dentro e fora do país. Fantástico entra no Irã e registra o impacto da guerra e das restrições civis no país ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Além de se isolar ainda mais da comunidade global, ao ampliar este rigoroso filtro, o regime islâmico reforça as medidas destinadas a limitar a influência estrangeira e a controlar o fluxo de informações. Qualquer contato com a imprensa de fora requer autorização por escrito do Ministério de Relações Exteriores. A pena para quem compartilhar informações que prejudiquem a segurança do Irã pode chegar a 30 anos de prisão. A legislação, aprovada em primeira instância, ainda terá de passar por nova análise e pelo Conselho de Guardiões antes de entrar em vigor. O colegiado, formado por 12 membros, supervisiona o Parlamento, pode vetar leis e exerce papel decisivo na aprovação ou rejeição de candidaturas eleitorais. O projeto amplia também o controle sobre a produção cultural. Filmes, documentários, peças de teatro, músicas e livros considerados promotores de uma “cultura anti-islâmica” ou que retratem o Irã de forma negativa passarão a ter mais controle, de acordo com a nova legislação. Com o controle total sobre a mídia nacional, o Irã ocupa a 176ª posição entre 180 países no ranking da entidade Repórteres Sem Fronteiras. Nesse contexto, o novo pacote aprovado pelo Parlamento não causa surpresa, sobretudo após a guerra contra o país, deflagrada em fevereiro por EUA e Israel. Por que é tão difícil ter notícias de dentro do Irã? Protesto em Teerã, no Irã, contra prisão de jornalista iraniano-americana em 2019 ATTA KENARE / AFP No mês passado, o Ministério de Inteligência publicou uma lista de entidades consideradas hostis da “mídia cidadã”, intensificando a repressão a profissionais de imprensa, ativistas e usuários de redes sociais. Entre os banidos, estão a Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi, o ex-jogador de futebol Ali Karimi, a atriz Nazanin Boniadi e o blogueiro Hossein Ronaghi. A lista de veículos em idioma persa considerados hostis pelo regime inclui: Iran International BBC Persian Radio Farda IranWire Voice of America (VOA) Manoto Independent Persian Kayhan London Radio Zamaneh HRANA Iran Human Rights Desde maio, o regime já havia restringido o uso de conteúdo de agências de notícias internacionais sediados em Teerã, obrigando-as a declarar que suas informações não poderiam ser usadas pela mídia israelense e emissoras de TV em língua farsi localizadas fora do Irã. A punição para as agências que não cumprem a norma é o encerramento das operações no país. A legislação aprovada no domingo reforça o propósito do regime de transformar o isolamento informativo em instrumento de segurança, reduzindo os espaços para a circulação de informações independentes dentro e fora de suas fronteiras.