Continuação tardia de “Da magia à sedução”, lançado em 1998, “Da Magia à sedução: feitiço de amor” é uma sequência simpática, com algum humor e leveza, que traz de volta praticamente todo o elenco do filme original, encabeçado novamente por Sandra Bullock e Nicole Kidman. Apesar de agradável, o longa que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (10), não possui o mesmo encanto da primeira parte e traz poucas novidades ao universo das irmãs bruxas. A trama mostra que Sally (Bullock) e Gillian Owens (Kidman) continuam a viver juntas numa pequena cidade de Massachusetts após os eventos do filme anterior, ao lado de suas tias, Jet (Dianne Wiest) e Frances (Stockard Channing). Só que Sally, após ficar viúva novamente, deixou de lado suas habilidades mágicas e preferiu se dedicar à criação das filhas Kylie (Joey King, de “A Barraca do Beijo”) e Antonia (Maisie Williams, de “Game of Thrones”), agora crescidas. Assista ao trailer do filme "Da magia à sedução: feitiço de amor" Porém, ao descobrir que as mulheres de sua família são amaldiçoadas e que nunca podem se apaixonar totalmente, o que causaria a morte de seus amados, Kylie decide ir para a Inglaterra, onde a maldição começou, e acabar com ela definitivamente. Mas Sally, temendo pela vida da filha, decide ir atrás dela, junto de Gillian, e as duas passarão por situações que irão testar sua união mais uma vez. Passagem de vassoura Como tem se tornado uma tendência em franquias que voltam aos cinemas após anos de inatividade, “Da magia à sedução: feitiço de amor” foi concebido como um “filme legado”, ou seja, personagens mais antigos dão lugar aos mais novos para continuar a história com elementos mais modernos. Assim, boa parte da trama é mais centrada nas filhas de Sally do que nela ou sua irmã, o que foi o diferencial do longa original. Só que as partes mais interessantes desta sequência ocorrem mesmo com Bullock e Kidman. Ainda bem, diga-se de passagem. Antonia (Maise Williams) e Kylie (Joey King) são irmãs no filme 'Da magia à sedução: feitiço de amor' Divulgação Parte desse desequilíbrio é causado pelo roteiro, escrito por Akiva Goldsman (vencedor do Oscar pelo texto de “Uma Mente Brilhante” e que também co-escreveu o filme original), Georgia Pritchett (de séries como “Succession”) e Kelly Marcel (“Cinquenta tons de cinza” e “Venon: A Última Rodada”). Inspirado em "O livro da magia", escrito por Alice Hoffman sobre as irmãs Owens, o roteiro não cria situações muito intrigantes e parece mais preocupado em repetir o que deu certo na produção realizada há mais de 25 anos. Além disso, apesar da intenção de ser uma passagem de bastão (ou melhor, de vassoura), a trama nunca parece se decidir se vai tomar mesmo esse caminho ou deixar o protagonismo mesmo com as irmãs vividas por Bullock e Kidman, o que torna seu resultado irregular, apesar de agradável. Por causa disso, alguns personagens acabam tendo menos tempo de tela do que poderiam ou deveriam, o que pode causar até uma estranheza. A direção de Suzanne Bier, que já tinha trabalhado com Sandra Bullock em “Caixa de Pássaros” e com Nicole Kidman em minisséries como “The Undoing”, é bastante trivial e deixa todas as situações, mesmo as mais dramáticas, bem leves. Não há peso nem tensão, como o que Griffin Dunne, diretor do primeiro filme, conseguiu imprimir, onde conseguiu flertar até com o terror, mesmo sendo uma comédia romântica. Franny (Stockard Channing) e Jet (Dianne Wiest) estão de volta em 'Da magia à sedução: feitiço de amor' Divulgação A cineasta deixa tudo muito solar, o que pode agradar quem só quer ver um bom passatempo e não sofrer nenhum tipo de impacto. Só que, mesmo assim, a diretora nem sempre acerta no humor ou mesmo no romance, deixando tudo num nível mediano para bom. Outro problema de Bier é que ela não parece muito familiar com o uso de efeitos visuais, especialmente na parte final. Nenhuma das cenas deste momento são diferenciadas ou memoráveis, o que deixa a ameaça que as protagonistas têm que enfrentar bem genérica e sem graça. No primeiro filme, pelo menos, havia algo mais impressionante, que despertava uma sensação de perigo real para as personagens. Já nessa sequência, o problema que surge contra elas só está ali para cumprir tabela. O que é uma pena. Bruxas maduras (e cativantes) Mesmo com esses deslizes, “Da magia à sedução: feitiço de amor” ainda é uma sequência simpática de assistir. Principalmente pelos dois trunfos que possui: Sandra Bullock e Nicole Kidman. Bullock, que já estrelou vários sucessos, como “Velocidade Máxima” e “Gravidade”, e ganhou o Oscar em 2010 por sua atuação em “Um sonho possível”, mostra que mantém seu carisma intacto, mesmo após passar quatro anos sem estrelar um filme (o último foi “Cidade Perdida”). E mesmo depois de mais de 20 anos, se mostra bem confortável no papel de Sally, como se não interpretasse a personagem há apenas alguns meses. Gillian (Nicole Kidman) e Sally (Sandra Bullock) enfrentam uma ameaça em 'Da magia à sedução: feitiço de amor' Divulgação Já Kidman mantém o lado divertido e provocador de Gillian e ganha uma camada extra ao se mostrar uma tia mais preocupada com o bem-estar das sobrinhas. Embora apareça menos do que deveria e surgir mais como “escada” para Bullock em algumas cenas, a atriz de “Babygirl” cativa e convence ao criar química com a “irmã bruxa”. Quem não se sai muito bem é Joey King como Kylie. Não tanto por sua atuação, mas pelos problemas do roteiro, que prejudicam a sua presença na trama. Além disso, fica estranho não ver Evan Rachel Wood de volta ao papel de uma das filhas de Sally. Com trabalhos mais consistentes em sua carreira, como no filme “Aos Treze”, Wood poderia se destacar também nessa sequência. Já King faz um trabalho que não compromete, mas também não brilha. Pior foi para Maisie Williams, que praticamente vira uma quase figurante depois da metade do filme, em cenas que nada acrescentam à trama. Situação parecida vivem Dianne Wiest e Stockard Channing. As duas atrizes, que chamaram a atenção no primeiro longa, pouco têm a fazer na continuação. Pelo menos elas estrelam duas cenas bonitas, que podem até emocionar os mais sensíveis ou nostálgicos. Ian (Lee Pace) se interessa por Sally (Sandra Bullock) em 'Da magia à sedução: feitiço de amor' Divulgação Já o elenco masculino basicamente se resume a Xolo Maridueña (“Besouro Azul” e a série “Cobra Kai”), que interpreta Gideon, um rapaz que se interessa por Kylie, e Lee Pace (“Guardiões da Galáxia”), como Ian Wright, um professor que ajuda as irmãs Owens e sua passagem pela Inglaterra. Os dois não fazem nada de especial, senão dar espaço para que as atrizes se evidenciem no longa. “Da magia à sedução: feitiço de amor” certamente vai aquecer o coração dos românticos nostálgicos que vão ao cinema apenas para se divertir sem complicações. Pelo menos, o filme vale como bom entretenimento. Mas dava para encantar um pouco mais, depois de tanto tempo que levou para as irmãs Owens e sua família de feiticeiras voltarem a se reunir na telona. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1
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September 10, 2026 at 6:00 AM
'Da magia à sedução: feitiço de amor' vale apenas por carisma de Sandra Bullock e Nicole Kidman; g1 já viu
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