O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que a sociedade brasileira não pode ficar "assistindo denuncismo" diariamente sem que haja conclusão das apurações envolvendo a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula defendeu a investigação das denúncias, disse que ninguém está acima da lei e avaliou que o debate ocorrido na Corte nesta terça-feira (15) "não é correto". As declarações foram dadas um dia após a sessão do STF que analisava se deve ou não ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino antes de a Corte entrar no mérito do caso. 'Conflito feroz': Imprensa internacional destaca sessão do STF que analisou situação de Moraes Segundo Lula, é necessário esclarecer as denúncias que vieram à tona nos últimos dias para preservar a credibilidade do Supremo. "A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada. Ela é a instância máxima de poder nesse país. Quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar a decisão da Suprema Corte", afirmou. O presidente voltou a defender que todos os envolvidos tenham direito à ampla defesa e à presunção de inocência, mas disse que eventuais irregularidades precisam ser investigadas. "É importante que se apure, que dê direito de defesa às pessoas. A presunção de inocência tem que ser garantida a todo mundo, mas é preciso apurar." Lula afirmou ainda que "ninguém está acima da lei", incluindo integrantes do próprio Judiciário. "Ninguém está acima da lei, nem eu, nem o Fachin, nem ministro da Suprema Corte." As falas foram dadas em entrevista ao podcast 'Desce a Letra Show". O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto em 3 de setembro de 2026 Adriano Machado/Reuters 'Denuncismo' Ao comentar a sucessão de acusações envolvendo integrantes do Judiciário, o presidente disse que a população acompanha as denúncias sem respostas definitivas. "O que não dá é para a sociedade ficar assistindo esse denuncismo. Fulano pegou não sei quantos milhões, fulano recebeu não sei quantos milhões, e a sociedade está ouvindo tudo isso todo santo dia." Na avaliação do presidente, o STF precisa conduzir o processo de forma a impedir que a crise tenha impactos sobre a disputa eleitoral. "O [Edson] Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral." Reforma do Judiciário Lula também afirmou que a crise reforçou sua "convicção" de que o país precisa discutir mudanças no sistema de Justiça. "Vamos fazer uma reforma no Poder Judiciário. A partir de agora, eu acho que não tem como não discutir mais isso." Segundo o presidente, existem reclamações recorrentes sobre o funcionamento do Judiciário e a imagem da instituição atravessa um momento de desgaste. "Tem muita queixa e a imagem não está boa", emendou. Ao comentar a sessão do STF desta terça (15) , Lula afirmou que o confronto verbal entre ministros exibido durante o julgamento não contribui para a imagem da Corte. "Aquele debate na televisão que eu assisti não é correto." Apesar das críticas ao clima de tensão no Supremo, o presidente disse continuar admirando os ministros e voltou a elogiar a atuação de Alexandre de Moraes. Elogios a Moraes Lula afirmou que Moraes teve papel importante na defesa da democracia após as eleições de 2022 e relacionou as críticas ao ministro às investigações conduzidas pelo STF. "Acho que o Alexandre de Moraes fez um trabalho extraordinário para garantir a democracia deste país." O presidente também associou os ataques ao ministro às decisões que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados investigados por tentativa de golpe de Estado. Lula disse também estar indignado com a crise institucional, mas afirmou confiar que a situação será esclarecida. "Estou confiante de que nós vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir." Ele acrescentou que a discussão sobre mudanças institucionais deve ir além do Judiciário e alcançar também o sistema político. "Tem que fazer uma reforma no Poder Judiciário e também na política. A política está muito apodrecida no Brasil." - Esta reportagem está em atualização