Homem acende sinalizador durante faixa “Fogo nos Racistas” no show de Black Pantera A edição de 2026 do Rock in Rio já tem uma de suas imagens mais simbólicas. Em um encontro para lá de potente, Black Pantera e Nervosa estiveram juntas no Palco Sunset no fim da tarde deste sábado (5). HORÁRIOS ROCK IN RIO: Confira a programação completa GALERIA: Veja fotos dos shows 2º dia Famosos curtem 2º dia; veja imagens O trio mineiro de Uberaba formado em 2014 pelos irmãos Charles Gama (voz e guitarra) e Chaene Gama (baixo) e pelo baterista Rodrigo Pancho abriu o show com “Hórus” (2026). A letra fala de sincretismo religioso. A introdução diz: “Em nome do pai, do filho e do preto santo”. Depois, emendaram logo com “Padrão É o Caralho” (2022), cujo refrão repete: “Jesus não era branco, não era ariano. A vida começou no continente africano”. Black Pantera no Rock in Rio Reprodução A banda estava embalada pelo “Continental”, álbum lançado em 21 de agosto, que mistura rock pesado com rap, soul e referências afro-brasileiras. O disco também reforça um discurso ferrenho e contundente em defesa da América do Sul e do Sul Global. Foi a terceira vez da banda no Rock in Rio. No repertório, o grupo misturou ainda faixas como “Tradução”, cuja letra descreve a rotina de uma mãe que não tem tempo para ficar com o filho por trabalhar fora de casa. Do palco, o vocalista mandou um beijo para sua própria mãe que estava na plateia: “Não sei onde você está, mãe, mas essa é pelo fim da escala 6x1, rapaziada”. Porque representatividade importa Com cerca de 20 minutos de apresentação, a vocalista Prika Amaral da banda Nervosa se juntou a eles cantando a música “Serotonina” (2026), gravada originalmente com a rapper Duquesa. O clima já mudou totalmente: o que se ouvia ainda era um vocal grave, mas era um vocal feminino. Fundada em São Paulo em 2010, a banda chega ao Rock in Rio pela segunda vez (a primeira foi em 2019), agora com a turnê de “Slave Machine”, sexto álbum, lançado há pouco tempo, no último abril. Do alto, a banda deu a ordem: “Quero uma roda só de meninas. Abram, abram”. Elas obedeceram. Um pouco mais para trás, recuados, era possível ver alguns homens vestidos com camisetas do Black Pantera cedendo espaço e encourajando. Alguns deles tinham a frase “fogo nos racistas” estampada nas costas das camisas. Eles eram negros. Arte/g1