Jon Batiste se apresenta no Rock in Rio 2026 Anderson Bordê/AgNews Jon Batiste embalou o show desta segunda (7), no Rock in Rio, como um pastor conduz uma missa. Nesta congregação, pregou a união entre a cultura dele e a nossa: foi do samba ao blues, do gospel (americano) ao Carnaval, partindo do princípio que tudo faz bem para a alma. HORÁRIOS ROCK IN RIO: Confira a programação completa GALERIA: Veja fotos dos shows 4º dia Famosos curtem 4º dia; veja imagens Isso ficou claro logo na primeira música. Jon já abriu o show cantando acapella, como uma espécie de louvor. Em seguida, esquentou: acompanhado de um grupo de percussionistas cariocas, o culto virou festa. “Isso não é um show, é uma prática espiritual. E de onde eu venho, quando a gente toca esse tipo de música, as pessoas não ficam paradas. Preciso sentir sua liberdade”, disse, ao cantar “Freedom”. Sorridente, ele nunca deixou de se divertir e fez parecer fácil. Puxou coro, dançou, tocou escaleta, bateria, deixou sua talentosíssima banda brilhar e, claro, foi ao piano – seu instrumento principal. Nele, emendou um “Mas Que Nada”, deixando que a brasileira Nêgah Santos fizesse os vocais. (Curiosamente, foi a segunda vez que o clássico de Jorge Ben apareceu neste festival – no domingo (6), foi com o Black Eyed Peas). Jon não é tão conhecido e mal tem sucessos radiofônicos, mas não importa. De New Orleans, o artista é versado na escola dos desfiles de rua e de estilos – como o jazz e o gospel – que incorporam o público e a “bagunça” como parte da música. Quando sentiu falta de algo, pediu ele mesmo e o povo atendeu, virando coro, percussão e festa. Todo mundo entende a linguagem do groove. Foi o que aconteceu em “I Need You”, um dos maiores sucessos dele; poucos cantaram, mas na entrada da percussão e do contrabaixo, a plateia reconheceu que era pra dançar. E bater palmas, afinal, é uma congregação. Mais recentemente, o artista embarcou em um ambicioso projeto de releituras: em “Beethoven Blues” e “Black Mozart”, Batiste vem incorporando sua trajetória aos cânones. Nesta noite, essa foi a hora da contemplação. Batiste deu uma palhinha de “Für Elise” de Beethoven, no piano, depois tocou ele mesmo um baixo em um pad (sim, uma coisa com uma mão, outra com outra. Normal). Depois, seguiu tocando “Chega de Saudade”, quando entrou a bailarina Ingrid Silva. Foi um show de musicalidade como nenhum outro nessa edição até aqui. Sem firulas, com uma camiseta azul do Brasil e um sonho. Quando você manja tanto de música, precisa de mais? A ponte Rio-New Orleans foi o tema da congregação desta noite, que terminou em festa: com sua banda, Jon se aproximou em fila no palco, no que ele chama “love riot”. É uma ideia inspirada nos second lines da terra dele, quando uma banda de metais desfila nas ruas. O show reuniu uma galera, mas Jon dividiu horário com Belo, que se apresentava no Palco Favela, e deve ter perdido uma parcela do público. Quem ficou por ali testemunhou, se divertiu e dançou. Amém. Jon Batiste se apresenta no Rock in Rio 2026 Anderson Bordê/AgNews Arte/g1
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September 7, 2026 at 10:22 PM
Jon Batiste traz Ingrid Silva, toca de Beethoven a Jorge Ben e faz Rock in Rio virar culto musical
G1 Pop & Arte