Agora no g1 O Irã ainda busca uma solução negociada para o conflito com os Estados Unidos, afirmou nesta segunda-feira (31) o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. A declaração ocorreu um dia depois de os dois países retomarem as hostilidades pela primeira vez desde o fim de julho. Segundo Pezeshkian, o país quer retomar as negociações. As últimas trativas, em meados de junho, resultaram num cessa-fogo temporário que durou até o começo de julho. Desde então, as negociações diretas estão paralisadas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Pezeshkian também falou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicar um vídeo gerado por inteligência artificial que supostamente mostrava a destruição da ilha de Kharg, um dos principais centros de exportação de petróleo do Irã. Não há evidências de que a ilha tenha sido atacada. Um funcionário americano afirmou nesta segunda que as forças dos EUA não tinham como alvo Kharg durante os ataques realizados durante a noite. Um funcionário iraniano classificou a publicação de Trump como "ridícula". EUA atacam lançadores de mísseis As forças americanas atacaram no domingo (30) dois lançadores iranianos na ilha de Larak, a cerca de 660 quilômetros a leste de Kharg, segundo um funcionário dos EUA. O ataque matou duas pessoas e deixou outras feridas, de acordo com a agência estatal iraniana IRNA, que citou o governador local. Segundo um funcionário americano, os lançadores estavam sendo preparados por integrantes da Guarda Revolucionária do Irã para disparar foguetes com minas navais no Estreito de Ormuz. 🔎 O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica localizada entre o Irã e Omã, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. A região é uma das principais rotas para o transporte de petróleo no mundo: antes do conflito, cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no planeta passava pelo estreito. Desde o início da guerra, porém, a passagem está praticamente bloqueada. Larak é uma pequena ilha localizada no estreito, perto do porto estratégico iraniano de Bandar Abbas. O Comando Central dos EUA afirmou que realizou uma ação "limitada e precisa" contra forças iranianas que instalavam minas na região. Segundo os americanos, elas representavam uma "ameaça iminente". LEIA TAMBÉM Irã chama sanções dos EUA de 'crime contra a humanidade' e pede medidas da ONU: 'Terrorismo de Estado' Premiê de Israel chama governantes do Irã de 'selvagens': 'Um acordo não pode ser alcançado' Trump diz que EUA detonaram todas as minas instaladas pelo Irã no Estreito de Ormuz Irã reage O Irã respondeu aos ataques americanos lançando ofensivas contra bases dos EUA na Jordânia, segundo a imprensa iraniana. O Exército iraniano também afirmou ter atacado a base aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, durante a madrugada desta segunda-feira. O governo dos Emirados, porém, negou a informação. O Ministério da Defesa dos Emirados afirmou posteriormente que sua força aérea interceptou um drone que havia entrado no espaço aéreo do país vindo do Irã. O governo não informou se o equipamento foi abatido. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os ataques contra a Jordânia tiveram como alvo bases americanas utilizadas para lançar e apoiar o ataque contra Larak. A Guarda Revolucionária também afirmou ter usado mísseis de defesa aérea para derrubar um drone dos EUA. O equipamento caiu em águas do Golfo, segundo a agência iraniana Mehr. A televisão estatal do Irã informou ainda que um superpetroleiro pegou fogo e ficou completamente parado depois de atingir duas minas navais no sul do Estreito de Ormuz. Segundo a Guarda Revolucionária, o navio tentava atravessar a região de forma ilegal. Não foram divulgados detalhes sobre a embarcação ou a tripulação. Pezeshkian defende negociação A retomada dos ataques ocorreu após semanas de aumento da pressão econômica dos EUA contra o Irã e seus parceiros comerciais. O governo Trump ampliou as sanções econômicas contra Teerã e passou a priorizar medidas financeiras em vez de novas ações militares. As negociações, porém, continuam paralisadas. Pezeshkian conversou com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, durante uma reunião regional de segurança no Quirguistão. O presidente iraniano acusou os Estados Unidos de não cumprirem compromissos assumidos em acordos anteriores. "Mesmo assim, ainda estamos tentando chegar a um acordo e a um entendimento. Acreditamos que continuar a guerra não interessa a ninguém: nem a nós, nem à região, nem à humanidade", afirmou, segundo a agência iraniana semioficial Tasnim. "Consideramos que a solução para os problemas atuais é o diálogo e a cooperação e que toda capacidade deve ser usada para impedir a expansão da insegurança e do conflito", disse. Trump publica vídeo de ilha iraniana Antes das declarações de Pezeshkian, Trump publicou em sua rede social, Truth Social, um vídeo que mostrava grandes explosões na ilha de Kharg. Na publicação, o presidente americano escreveu que a ilha estava sendo "completamente destruída". A Reuters analisou o vídeo e concluiu que as imagens provavelmente foram produzidas artificialmente. A agência utilizou uma ferramenta capaz de detectar imagens manipuladas por inteligência artificial A Casa Branca e o Departamento de Defesa dos EUA não responderam aos pedidos de comentário da Reuters fora do horário comercial. Kharg é fundamental para a economia iraniana. Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, a ilha concentrava cerca de 90% das exportações de petróleo do país. Um ataque à região poderia interromper uma parcela significativa do comércio de energia do Irã e aumentar a pressão sobre sua economia. Hamid Bovard, diretor da estatal National Iranian Oil Co., afirmou que a situação na ilha estava normal. "As publicações de Trump são ridículas e as condições em Kharg estão calmas e adequadas", disse, segundo a agência iraniana semioficial Nournews. De acordo com Bovard, as operações de petróleo não foram interrompidas. Trabalhadores continuavam reparando danos anteriores e modernizando as instalações. Pressão econômica aumenta Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra. Entre eles estão desmantelar o programa nuclear iraniano, limitar a capacidade do país de atacar seus rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem o governo dos líderes religiosos. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à Reuters no domingo (30) que novas sanções secundárias contra o Irã devem ser anunciadas semanalmente. Segundo ele, os primeiros alvos devem ser bancos. A União Europeia afirmou nesta segunda-feira (31) que continuará trabalhando com os Estados Unidos e outros países para manter a pressão econômica sobre o Irã. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian Site presidencial do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS
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August 31, 2026 at 12:37 PM
Irã ainda quer negociar fim para guerra com EUA, diz presidente
G1 / Globo