Otan elogia acordo entre EUA, Dinamarca e Groenlândia; governo dinamarquês diz que mantém Os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia assinaram nesta terça-feira (22) o acordo sobre a segurança da ilha após o anúncio de que os EUA terão domínio sobre a proteção do território. A celebração do pacto acontece no mesmo dia do início da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A medida reduz as tensões entre Washington e Copenhague após meses de declarações do presidente dos EUA, Donald Trump sobre a possibilidade de a Groenlândia passar a fazer parte dos Estados Unidos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: acompanhe a Assembleia Geral da ONU O documento foi assinado por Trump, pelo premiê da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, no prédio da ONU, em Nova York. O acordo foi anunciado poucos dias depois de Trump dizer que os EUA ampliariam sua presença militar na ilha, que continuará sob controle dinamarquês. Os governos das três partes negociaram o texto por meses. os detalhes do acordo, porém, foram mantidos em sigilo até ates da assinatura. O presidente dos EUA, Donald Trump, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, participam de um evento trilateral de assinatura de um acordo sobre a segurança da Groenlândia. Kylie Cooper/Reuters "Avanço histórico" Trump afirmou que o acordo é o resultado de negociações que se estenderam por décadas. Segundo ele, diferentes presidentes americanos já haviam discutido a possibilidade de um entendimento sobre a Groenlândia, mas nenhum havia conseguido concluí-lo. O presidente americano disse que o novo acordo deve estabelecer uma relação de longo prazo entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia. Ele também afirmou que o entendimento será importante para a Europa e para a segurança da região. Já a premiê dinamarquesa destacou a parceria militar entre os dois países e lembrou que Washington e Copenhague mantêm um acordo específico sobre a defesa da Groenlândia há 75 anos. "Esse acordo é bom para os Estados Unidos. É bom para a Groenlândia, para a Dinamarca, para a aliança da Otan e, portanto, também para a Europa. Em outras palavras, estamos fortalecendo nossa segurança comum, aumentando nossa capacidade de dissuasão e mostrando aos nossos adversários quem somos. E estamos fazendo isso juntos", afirmou. Segundo ela, o novo documento amplia essa cooperação e fortalece a capacidade de dissuasão dos aliados. O objetivo é impedir que países considerados adversários pelos integrantes da Otan obtenham controle ou influência significativa sobre a Groenlândia. "Senhor presidente, o senhor deixou muito claro que não quer que adversários cheguem perto demais. Concordo plenamente. E, com este acordo, eles não chegarão". Fim da tensão Trump passou meses defendendo que a Groenlândia deveria integrar os Estados Unidos. O presidente chegou a ameaçar assumir o controle da ilha, que é um território autônomo do Reino da Dinamarca. A postura americana provocou uma crise diplomática com a Dinamarca, que é integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O governo dinamarquês afirmou que uma tomada da Groenlândia pelos EUA poderia afetar a própria aliança militar. A tensão também preocupou a população da ilha, que tem cerca de 56 mil habitantes. Países europeus aumentaram exercícios militares na região e ampliaram o apoio financeiro à Groenlândia. A localização da ilha também aumentou o interesse internacional. Cerca de dois terços do território ficam dentro do Círculo Polar Ártico. O derretimento do gelo marítimo tem aberto novas rotas de navegação e ampliado o interesse por recursos minerais da região. O que diz o acordo Os Estados Unidos mantêm presença militar na Groenlândia há décadas. Depois de 1945, porém, o contingente foi reduzido de milhares de militares distribuídos por 17 bases e instalações para cerca de 200 soldados na Base Espacial de Pituffik, no noroeste da ilha. A instalação é usada em operações de alerta e defesa contra mísseis, além de atividades de vigilância espacial dos Estados Unidos e da Otan. Durante discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, Trump antecipou alguns pontos do acordo. Ele afirmou que os americanos começarão a desenvolver uma presença militar maior em locais considerados adequados. "Começaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar nos locais apropriados", disse Trump. Segundo ele, o plano inclui a construção de "duas bases militares muito importantes". O Parlamento da Dinamarca aprovou no ano passado uma lei que permite a instalação de bases militares americanas em território dinamarquês. A medida ampliou um acordo de defesa firmado em 2023 durante o governo do ex-presidente Joe Biden. Trump já havia afirmado que os Estados Unidos precisavam assumir o controle da Groenlândia para impedir uma eventual ocupação ou influência maior de Rússia e China. O presidente também disse que preferia negociar uma solução, mas manteve a defesa de que Washington deveria obter a ilha. LEIA TAMBÉM Por que a Groenlândia virou peça-chave na geopolítica global e nos planos de Trump Trump confunde Groenlândia com Islândia durante discurso em Davos 'Luta contra Trump foi vencida': Dinamarca expressa otimismo cauteloso após acordo com EUA sobre Groenlândia