Trump diz que EUA serão guardiões do Estreito de Ormuz e que país deve ser pago por isso O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que vai "tomar o controle do Estreito de Ormuz" e que passará a cobrar o valor de 20% de toda carga que passar pela rota. O Irã imediatamente rebateu a alegação. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados ​​por isso", disse ele à emissora Fox News. "Por uma questão de JUSTIÇA, seremos reembolsados ​​em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", completou Trump no post da rede social. A fala de Trump, no entanto, contrastou com declarações feitas por ele desde a assinatura do acordo de paz preliminar com o Irã, em meados de junho, em que ele disse em diversas ocasiões que não haveria cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. O texto do memorando de paz assinado por EUA e Irã também contradiz o líder norte-americano. Veja abaixo o que Trump já falou sobre cobrança de taxas em Ormuz: 15/06: "Ormuz não terá pedágio" Nos dias entre a assinatura do acordo de paz pelos negociadores e a oficialização por Trump e Masoud Pezeshkian, o líder norte-americano afirmou ao jornal "New York Times" que não haverá cobrança de pedágio em Ormuz. A fala foi uma resposta ao Irã, que havia anunciado "taxas de serviço marítimo". 20/06 – "Não haverá pedágio, a menos que seja imposto pelos EUA" Três dias após a oficialização do memorando, Trump disse nas redes sociais que seu governo poderia cobrar taxas "como forma de reembolso de custos" caso um acordo definitivo de paz com o Irã não fosse alcançado. Nessa fala, ele também reforçou a não cobrança de pedágio durante 60 dias, como previa o documento preliminar. 24/06 – "Irã garantiu que não haverá pedágio" Poucos dias depois, Trump voltou a afirmar que "apesar de relatos de 'fake news', não há pedágios, custos de seguro ou quaisquer outras taxas de qualquer tipo sendo cobradas ou recebidas pelo Irã", e ameaçou encerrar as negociações caso contrário. Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst Irã rebate Trump A declaração do presidente dos Estados Unidos foi imediatamente rebatida pelo comando militar do Irã, que afirmou que "não permitirá que os EUA intervenham na administração" de Ormuz. "O Irã não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada", afirma comunicado, que ainda traz um alerta aos países vizinhos: "Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã". A Guarda Revolucionária iraniana também se pronunciou e declarou que continua afirmando sua "autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz". "Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás", ameaçou o porta-voz. Irã diz que estreito está fechado, EUA negam Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã REUTERS / Stringer Segundo o Irã, o Estreito de Ormuz voltou a ser fechado no sábado (11). Os EUA, tanto Trump quanto o comando militar que atua na região, negam. O anúncio foi feito por Teerã depois de os EUA anunciarem ter atacado 140 alvos militares iranianos nas últimas 24 horas, totalizando mais de 300 durante três noites de ataques. O objetivo da ofensiva, afirmou o Comando Central dos EUA em comunicado, era retaliar ataques feitos pelo Irã a embarcações. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou que disparou tiros de advertência e alertou: "Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida", declarou a Guarda Revolucionária, acrescentando: "O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar". Trump diz que Irã concordou com acordo, abrindo mão de armas nucleares, antes de ataque de drone no Estreito de Ormuz EUA lançam novos ataques contra o Irã Neste domingo (12), os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã. Segundo os militares americanos, o objetivo é continuar degradando a capacidade do país de atacar embarcações que transitam por Ormuz. Em resposta à ação, Teerã reagiu com ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã — países da região que abrigam instalações militares americanas ou têm papel estratégico no tráfego marítimo. “A era dos acordos unilaterais acabou”, escreveu Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores do país. “Nós dissemos: cumpra sua palavra ou pague o preço. A realidade está batendo à porta". Entenda a sequência de ataques