As candidatas Jasleen Kaily e Karisa Haverkamp pediram desculpas pelo uso de trajes indígenas. YouTube/Miss Universe Canada Duas candidatas ao concurso Miss Universo Canadá pediram desculpas por terem usado itens indígenas em um desfile. "Se algum traje causou ofensa, mágoa ou mal-entendido, saibam que essa nunca foi nossa intenção", afirmou a organização do concurso em comunicado. Elas tinham sido criticadas por uma ex-vencedora do mesmo concurso, de origem indígena, que apresentou uma etapa da competição e as acusou de apropriação cultural indevida. Os itens foram usados durante uma etapa da competição em que as candidatas devem usar trajes típicos do Canadá. A participante Karisa Haverkamp usou um cocar de penas — item tradicionalmente usado por líderes indígenas na América do Norte. LEIA TAMBÉM: Por que Cabo Verde é um refúgio para a comunidade LGBTQIA+ na África Agora no g1 Ela também exibia uma marca de mão vermelha pintada no rosto, um símbolo que representa a solidariedade ao movimento das Mulheres Indígenas Desaparecidas e Assassinadas (MMIW, na sigla em inglês). "Reconheço e admito que minha roupa para [a etapa do] o traje nacional magoou e ofendeu pessoas da comunidade indígena", escreveu Haverkamp em uma publicação no Instagram. "Agradeço pelo que aprendi com essa experiência." Outra participante, Jasleen Kaily, usou uma roupa com o tema "Beleza Ártica", que incluía um vestido e botas de pele, conhecidos como mukluks, e duas tranças. Trançar o cabelo pode ter um profundo significado para os povos originários. Kaily também pediu desculpas, dizendo que sua intenção "nunca foi desrespeitar ou deturpar a cultura indígena", mas sim "reconhecer e celebrar um dos povos originários do Canadá". Ashley Callingbull, a mulher de origem indígena que já venceu o Miss Universo Canadá e fez as críticas, tinha assistido ao desfile delas e abordou o assunto quando apresentava outra etapa do concurso: "Estamos em 2026, deveríamos saber mais sobre isso." "Houve apropriação cultural em relação aos povos indígenas", acrescentou ela, esclarecendo que não estava presente quando os trajes indígenas foram usados, mas que viu o ocorrido em um vídeo posteriormente. Callingbull faz parte do povo enoch cree. 'Estamos em 2026', afirmou Ashley Callingbull sobre o uso de trajes indígenas por candidatas ao Miss Universo. Hector Vivas/Getty Images A organização do Miss Universo Canadá anunciou que vai criar um "guia de trajes completo" que "estabelecerá diretrizes e padrões claros para todas as etapas futuras do concurso, garantindo que cada apresentação seja cuidadosa e respeitosa". O diretor da competição, Sonny Borrelli, disse que também convidou Callingbull, a primeira indígena a vencer a competição canadense, para ser a coordenadora da etapa de trajes típicos daqui para frente. Borrelli estava ao lado de Callingbull durante a final de sábado (08/08), quando ela criticou a organização do evento por não ter se desculpado de forma mais direta na declaração sobre os itens usados por Jasleen Kaily e Karisa Haverkamp. Depois, Borrelli afirmou que o Miss Universo Canadá assume "total responsabilidade" pelo erro. "Vamos aprender com isso, vamos melhorar, vamos consertar", disse ele. Callingbull agradeceu aos organizadores do concurso por terem sido receptivos quando ela entrou em contato para falar do ocorrido. "Parte da reconciliação é educar, aprender, compreender e seguir em frente a partir dessas situações de uma forma positiva", disse ela. "Vamos garantir que todos sejam respeitados e honrados como merecem." Callingbull também falou com a rede CBC Indigenous sobre sua reação ao ver os figurinos. "Isso não pode ser real. Eu simplesmente não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo", disse ela. "Quem permitiu isso no palco? Quem aprovou isso?" "Nada do que é tradicional ou sagrado deveria ser permitido [na competição]. Fiquei muito, muito chateada." Não é a primeira vez que o Miss Universo Canadá é criticado por apropriação cultural. Em 2015, a organização afirmou que houve um "mal-entendido" em relação à participante Paola Nunuz Valdez, que usou uma fantasia de totem durante o desfile de trajes típicos. Tanto ela quanto a organização disseram que a intenção era fazer referência à sua herança dominicana. Na época, Callingbull afirmou ter recomendado que a Miss Universo Canadá analisasse a possibilidade de contratar um consultor para assuntos culturais.