Presidente da Argentina, Javier Milei (à esquerda), e primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham. Reuters/Jean Carniel/AP Photo/Kin Cheung/Pool O governo da Argentina apresentou nesta quinta-feira (17) um projeto de lei para endurecer as medidas contra empresas que operam nas Ilhas Malvinas, um novo capítulo da escalada de tensões com o Reino Unido sobre o território. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A proposta legislativa surge após o governo Milei ter subido o tom contra o Reino Unido na semana passada, quando anunciou a construção de uma base militar na Terra do Fogo e a abertura de processos de sanções econômicas contra pelo menos 60 empresas e indivíduos ligados à exploração de petróleo offshore nos arredores das ilhas. A Argentina reivindica a soberania sobre as Malvinas, território ultramarino britânico e chamadas por Londres de Ilhas Falkland. A medida desta quinta pode elevar ainda mais as tensões entre os governos argentino e britânico. Os dois países travaram uma guerra pelas ilhas Malvinas em 1982, quando forças argentinas e britânicas batalharam no local durante cerca de 10 semanas. O Reino Unido saiu vitorioso do conflito e desde então detém a soberania sobre o território. Leia mais abaixo. Agora no g1 Disputa pelas Malvinas Vista aérea de Port Stanley, nas Ilhas Malvinas/Falklands Wikimedia Commons Um dos principais motivos pelos quais a Argentina reivindica a posse é a proximidade: as ilhas ficam a cerca de 600 quilômetros de distância da costa da Patagônia e cerca de 13 mil quilômetros do Reino Unido. Os argentinos argumentam que quem primeiro ocupou as ilhas foram os espanhóis que governavam o Vice-Reino do Rio da Prata – a região que, em 1810, se tornou independente da metrópole da Espanha para virar a Argentina. Na década de 1820, já independente da Espanha, a Argentina enviou autoridades para tomar posse das ilhas. Em 1829, nomeou um governador para as Malvinas. Quatro anos mais tarde, em 1833, os ingleses expulsaram as autoridades argentinas das ilhas. O Reino Unido afirma, no entanto, que sua reivindicação é de 1765, anterior à década de 1820, e que enviou um navio de guerra para as ilhas em 1833 para expulsar as forças argentinas que tinham tentado tomar posse das ilhas. Quase 150 anos depois, em abril de 1982, sob a ditadura, os argentinos lançaram a Operação Rosário, ou seja, a tentativa de recuperar as ilhas com forças militares. Esse foi o começo da Guerra das Malvinas. O conflito foi vencido pelos ingleses dois meses depois. No total, morreram: 649 soldados argentinos; 255 soldados britânicos; 3 moradores da ilha; Anos depois da guerra, em 2013, os moradores das Malvinas votaram em um plebiscito para decidir o destino da ilha, e optaram por permanecer como um território ultramarino do Reino Unido.