Uma decisão da Justiça dos Estados Unidos abriu um precedente ao considerar legal que empresas de inteligência artificial comprem livros físicos, destruam os exemplares após a digitalização e utilizem as cópias digitais para treinar modelos de linguagem. No caso envolvendo a Anthropic, o juiz entendeu que a prática pode ser enquadrada como fair use (uso aceitável), desde que haja a compra legal da obra física e sua destruição após a criação de uma única cópia digital. A interpretação foi apresentada no processo Bartz v. Anthropic PBC, movido pelos autores Andrea Bartz, Charles Graeber e Kirk Wallace Johnson. Embora a ação tenha resultado em um acordo de US$ 1,5 bilhão relacionado a cerca de 500 mil livros, o processo apontava que a Anthropic havia baixado aproximadamente 7 milhões de obras de bibliotecas piratas, como Libgen e PiLiMiL. A decisão também consolidou a legalidade da destruição de exemplares físicos para alimentar algoritmos. Segundo esse entendimento, após adquirir e destruir o livro, a empresa controla os dados digitais gerados, sem que os autores possam decidir sobre o uso desse material no treinamento de ferramentas de IA. O precedente também repercutiu no mercado editorial. Segundo o jornal The Telegraph, houve um aumento atípico na compra de livros raros e fora de catálogo por empresas de tecnologia para digitalização. O movimento levantou discussões sobre o impacto da prática na preservação de obras históricas e do patrimônio cultural, especialmente quando envolve exemplares com poucas cópias remanescentes. O que é o Projeto Panamá e por que ele está visando livros antigos? O Projeto Panamá é uma iniciativa interna da Anthropic criada no início de 2024 para ampliar o acervo de livros utilizados no treinamento do Claude, o assistente de inteligência artificial da empresa. Documentos judiciais revelam que o projeto utilizava um codinome e orientava funcionários a evitarem conversas sobre a operação em locais públicos ou com pessoas de fora da empresa. O processo começa com a compra de grandes lotes de livros, incluindo obras antigas, raras e fora de catálogo. Em seguida, os exemplares passam por um processo mecânico em que máquinas hidráulicas removem as lombadas para separar as páginas. Após a digitalização, os livros são transformados em polpa de papel para reciclagem, sendo destruídos de forma permanente. A preferência por livros publicados antes da popularização da inteligência artificial generativa está relacionada à qualidade dos dados utilizados no treinamento dos modelos. Estudos publicados nas revistas Nature e Physical Review Letters indicam que o uso recorrente de conteúdo gerado por outras IAs pode degradar o desempenho desses sistemas. O trabalho publicado na Physical Review Letters ressalta, inclusive, que a inclusão de até mesmo um único dado produzido por humanos já pode ajudar a prevenir o colapso do sistema causado pelo uso de dados sintéticos. Por isso, obras produzidas antes da era da IA generativa são consideradas uma fonte valiosa de conteúdo criado por humanos para o treinamento desses modelos. Se você gostou do conteúdo, talvez também se interesse por saber o que significa quando uma empresa diz que vai treinar IA com dados dos usuários. {{WHATSAPP_CHANNEL}}
Uma decis o da Justi a dos Estados Unidos abriu um precedente ao considerar legal que empresas de intelig ncia artificial comprem livros f sicos, destruam os exemplares ap s a digitaliza o e utilizem as c pias digitais para treinar modelos de linguagem. No caso envolvendo a Anthropic, o juiz entendeu que a pr tica pode ser enquadrada como fair use (uso aceit vel), desde que haja a compra legal da obra f sica e sua destrui o ap s a cria o de uma nica c pia digital. A interpreta o foi apresentada no processo Bartz v. Anthropic PBC, movido pelos autores Andrea Bartz, Charles Graeber e Kirk Wallace Johnson. Embora a a o tenha resultado em um acordo de US$ 1,5 bilh o relacionado a cerca de 500 mil livros, o processo apontava que a Anthropic havia baixado aproximadamente 7 milh es de obras de bibliotecas piratas, como Libgen e PiLiMiL. A decis o tamb m consolidou a legalidade da destrui o de exemplares f sicos para alimentar algoritmos. Segundo esse entendimento, ap s adquirir e destruir o livro, a empresa controla os dados digitais gerados, sem que os autores possam decidir sobre o uso desse material no treinamento de ferramentas de IA. O precedente tamb m repercutiu no mercado editorial. Segundo o jornal The Telegraph, houve um aumento at pico na compra de livros raros e fora de cat logo por empresas de tecnologia para digitaliza o. O movimento levantou discuss es sobre o impacto da pr tica na preserva o de obras hist ricas e do patrim nio cultural, especialmente quando envolve exemplares com poucas c pias remanescentes. O que o Projeto Panam e por que ele est visando livros antigos? O Projeto Panam uma iniciativa interna da Anthropic criada no in cio de 2024 para ampliar o acervo de livros utilizados no treinamento do Claude, o assistente de intelig ncia artificial da empresa. Documentos judiciais revelam que o projeto utilizava um codinome e orientava funcion rios a evitarem conversas sobre a opera o em locais p blicos ou com pessoas de fora da empresa. O processo come a com a compra de grandes lotes de livros, incluindo obras antigas, raras e fora de cat logo. Em seguida, os exemplares passam por um processo mec nico em que m quinas hidr ulicas removem as lombadas para separar as p ginas. Ap s a digitaliza o, os livros s o transformados em polpa de papel para reciclagem, sendo destru dos de forma permanente. A prefer ncia por livros publicados antes da populariza o da intelig ncia artificial generativa est relacionada qualidade dos dados utilizados no treinamento dos modelos. Estudos publicados nas revistas Nature e Physical Review Letters indicam que o uso recorrente de conte do gerado por outras IAs pode degradar o desempenho desses sistemas. O trabalho publicado na Physical Review Letters ressalta, inclusive, que a inclus o de at mesmo um nico dado produzido por humanos j pode ajudar a prevenir o colapso do sistema causado pelo uso de dados sint ticos. Por isso, obras produzidas antes da era da IA generativa s o consideradas uma fonte valiosa de conte do criado por humanos para o treinamento desses modelos. Se voc gostou do conte do, talvez tamb m se interesse por saber o que significa quando uma empresa diz que vai treinar IA com dados dos usu rios. {{WHATSAPP_CHANNEL}}