O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve dedicar parte do discurso na abertura na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), na próxima terça-feira (22), a fazer uma defesa da soberania brasileira e a criticar o que avalia serem tentativas externas de interferência no processo eleitoral do Brasil. Segundo auxiliares do presidente, o texto a ser lido por Lula ainda não está fechado, mas haverá menções à importância da democracia, a exemplo do que ele fez no ano passado. O presidente não deve mencionar diretamente os Estados Unidos, nem o nome do presidente Donald Trump. Mas, segundo interlocutores, haverá recados direcionados não apenas aos EUA, mas também a outros países que, para Lula, tentam influenciar nas eleições do Brasil, como Argentina e Israel. Agora no g1 Para a equipe de Lula, os EUA representam maior ameaça à reeleição do petista, sobretudo, por serem o país das big techs, as gigantes de tecnologia, e pelo protagonismo estadunidense na geopolítica. O processo eleitoral do Brasil não será tema central do discurso do presidente Lula. No entanto, o governo entende que o tema se tornou relevante porque, na avaliação da diplomacia nacional, "a democracia e o multilateralismo estão sob ataque". Nos últimos dias, Lula tem dito que vai reforçar ao presidente Donald Trump que não aceita interferência dos Estados Unidos nas eleições do Brasil. Lula e Trump podem se encontrar no intervalo entre os discursos na abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Ainda não há nenhuma movimentação dos dois países para uma reunião bilateral de Lula e Trump às margens do evento. A expectativa, até o momento, é que os dois se cruzem nos corredores da Assembleia da ONU, assim como ocorreu no ano passado, quando Trump disse ter rolado uma "química" com o petista. A relação entre os dois países tem sido marcada por novas tarifas impostas pelos EUA contra produtos brasileiros e, também, por declarações de Trump contra a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Presidente Lula Foto: Ricardo Stuckert.