A partir da esquerda, candidatos ao Senado por MG em 2026: Aécio Neves (PSDB), Arcanjo Pimenta (MDB), Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante), Domingos Sávio (PL), Manoel Carvalho (MDB) e Marcelo Aro (PP) Gledston Tavares/Globo O g1 promoveu, nesta terça-feira (8), dois debate com candidatos ao Senado por Minas Gerais. Com mediação de Sérgio Marques, os encontros, realizados em estúdio montado no Salão de Eventos da Globo em Belo Hirozonte, foram transmitidos ao vivo no site e nos perfis do portal no YouTube, no TikTok e no Instagram. O primeiro debate, iniciado às 9h, teve participação de Arcanjo Pimenta (MDB), Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante) e Marcelo Aro (PP). O segundo debate, iniciado às 13h, teve participação de Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL) e Manoel Carvalho (MDB). Foram convidados os candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional, ou que alcançaram ao menos 5% de intenções de voto na pesquisa Quaest mais recente. Os participantes, em ordem alfabética, foram: Aécio Neves (PSDB) Arcanjo Pimenta (MDB) Áurea Carolina (PSOL) Carlin Moura (Avante) Domingos Sávio (PL) Manoel Carvalho (MDB) Marcelo Aro (PP) A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações dos candidatos. Leia: Aécio Neves (PSDB) "Eu posso falar com alguma propriedade sobre as chamadas 'Emendas PIX', porque fui eu o relator do projeto na Câmara dos Deputados." g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: Durante seu quinto mandato na Câmara dos Deputados, em 2019, Aécio foi o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/19. A proposta, que autoriza "a transferência de recursos federais a Estados, ao Distrito Federal e a Municípios mediante emendas ao projeto de lei orçamentária anual", foi aprovada pela Câmara e pelo Senado, como Emenda Constitucional 105/19. De autoria da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), a emenda foi promulgada pelo Congresso Nacional na forma do texto final assinado por Aécio Neves e define que os recursos "serão repassados diretamente ao ente federado beneficiado, independentemente de celebração de convênio ou de instrumento congênere". Arcanjo Pimenta (MDB) "Represento 60% da população [...], são os negros e pardos." Selo Fato (Horizontal) g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: Segundo o Censo 2022, divulgado em 22 de dezembro de 2023 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10,2% dos brasileiros se autodeclaram pretos e 45,3% se dizem pardos, totalizando 55,7% da população. O número é próximo do mencionado pelo candidato. Foi a primeira vez em que o número de brasileiros pardos tornou-se o maior grupo racial do país. A parcela dos que se declaram brancos voltou a cair, em linha com o que acontece desde 2000, e passou a ser o segundo maior grupo, com 43,5% da população. A definição da cor ou raça no Censo é feita a partir da autodeclaração. Dessa forma, o próprio morador identifica a si próprio de acordo com uma destas cinco alternativas: branca; preta; amarela; e parda ou indígena. Havia a opção de não declarar raça, mas apenas 0,005% dos entrevistados decidiram assim. "Minas Gerais ofertou R$ 88 milhões de ativos [bens do estado], que é para a entrada de 20% que nós temos que dar para amortizar na dívida [do estado com a União] antes de começar o parcelamento." g1 #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Em novembro de 2025, o governo de Minas Gerais enviou ao Ministério da Fazenda o pedido formal de adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) da União. Minas Gerais ofertou cerca de R$ 96 bilhões em ativos, e não R$ 88 milhões, para alcançar o abatimento máximo de 20% da dívida com a União. O mínimo exigido para esse abatimento era de aproximadamente R$ 36 bilhões. O Propag foi criado por uma lei federal, proposta pelo então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que permite aos estados pagarem suas dívidas com a União em até 30 anos e com juros menores. Ao oferecer bens e recursos para abater 20% do que devia, Minas Gerais zerou os juros, e hoje paga só a correção da inflação (IPCA), no lugar de IPCA + 4% ao ano. Por isso, não se trata de uma "entrada". Os 20% não são um pagamento à vista feito antes do parcelamento. Eles correspondem a um abatimento do saldo devedor, por meio da oferta de ativos do estado, federalização ou privatização de bens, recebíveis e participações societárias, como Companhia Energética de Minas gerais (Cemig), Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). É esse abatimento que zera os juros e permite ao estado pagar apenas a correção inflacionária. Ao Fato ou Fake, a assessoria de imprensa do candidato informou que ele se confundiu na ordem de grandeza dos números e, sem querer, disse em "milhões", em lugar de "bilhões". Áurea Carolina (PSOL) "O governo de Minas, na gestão do [ex-governador Romeu] Zema, deixou de arrecadar quase R$ 120 bilhões em impostos, porque concedeu benefícios. Indústria de cigarro, indústria de bebida alcoólica, inclusive lojas da família do governador Zema." g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: Minas Gerais concedeu R$ 122,7 bilhões em renúncias fiscais de 2019 a 2025, período em que Romeu Zema (Novo) governou o estado, segundo números disponíveis no Portal da Transparência e dados obtidos pela TV Globo via Lei de Acesso à Informação. Em julho de 2026, após um impasse judicial, a Secretaria de Estado da Fazenda divulgou a lista das 4.101 empresas que receberam o benefício. Entre as principais favorecidas, estão indústrias de bebidas alcóolicas e de cigarros. É possível acessar a lista de Beneficiários das Desonerações Tributárias no Portal da Transparência de Minas Gerais. Da lista, também consta a Eletrozema, controlada pela família de Zema. A companhia recebeu R$ 2.282.543,68 em isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a partir de 25 de julho de 2024. A renúncia fiscal ocorre quando o governo abre mão de receber o total ou parte dos tributos devidos com o objetivo de incentivar o desenvolvimento de setores econômicos. Carlin Moura (Avante) "Quando fui prefeito de Contagem, o meu primeiro ato como prefeito foi reabrir 21 unidades da Funec, que é uma fundação de ensino tecnológico." g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: Carlin Moura foi prefeito de Contagem, na Grande Belo Horizonte, de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2016. Em seu primeiro decreto ao assumir o Executivo municipal (001/2013), ele determinou a reabertura das unidades da Fundação de Ensino de Contagem (Funec), fechadas gradualmente entre 2009 e 2012. No início de 2013, nos primeiros 100 dias de mandato, Carlin Moura reabriu 11 unidades da Funec. Na época, somadas às três já existentes, a parcial passou a ser de 14 unidades em funcionamento. Até o final daquela gestão, esse total chegou a 21 unidades reabertas. "E que foi feito, uma primeira negociação através do Propag [Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados com a União]. Nesse aspecto, o nosso governador Mateus Simões [que assumiu em março de 2026, após Zema renunciar para concorrer à Presidência] teve um papel decisivo, né? Contribuiu muito a essa dívida diminuiu de R$ 210 bilhões para R$ 180 bilhões." g1 O valor negociado no Propag refere-se à dívida de Minas Gerais com a União, que nunca chegou a R$ 210 bilhões. Quando a adesão ao Propag foi oficializada, em novembro de 2025, o valor era de R$ 177,4 bilhões – atualmente, está em R$ 188,1 bilhões. À época, o governador era Romeu Zema (Novo), que tinha Mateus Simões (PSD) como vice. Em janeiro de 2023, quando iniciou o primeiro mandato de Zema à frente do Executivo estadual, a cifra era de R$ 126,5 bilhões. Todos esses números podem ser consultados no Portal da Dívida Pública, da Secretaria de Estado da Fazenda. Ainda em 2023, o governo de Minas Gerais chegou a anunciar que a dívida com a União poderia chegar a R$ 210 bilhões (valor citado por Carlin Moura no debate) ao fim de nove anos, caso o estado aderisse ao modelo anterior ao Propag, o chamado Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Mas isso não se confirmou. Uma cifra próxima à mencionada pelo candidato ao Senado diz respeito a toda a Dívida Pública de Minas Gerais computada em agosto de 2026: R$ 208,8 bilhões, o maior índice da série histórica. Mas esse montante inclui o débito com a União e outros credores, além de contratos. Entre 2023, eram R$ 157,1 bilhões (ou seja, não houve redução ao longo desse período). Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa de Carlin Moura reconheceu que a referência aos valores da dívida foi imprecisa e que a menção a Mateus Simões tem relação com a "participação política" do atual governador na adesão ao Propag. Domingos Sávio (PL) "A Comissão de Orçamento da Câmara, a cada ano, ou o senador é relator-geral ou senador é o presidente da comissão. Quando que Minas Gerais presidiu a Comissão de Orçamento? Faz décadas. Quando que Minas teve o relator-geral? Faz décadas." g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: Um parlamentar de Minas Gerais não preside a Comissão Mista de Orçamento desde 2006. Naquele ano, o cargo foi ocupado pelo então deputado federal Gilmar Machado (PT). Disponível no site oficial do Congresso Nacional, a relação oficial de presidentes desse colegiado mostra que, de 2007 a 2026, nenhum parlamentar mineiro voltou a esse posto. Já o último parlamentar mineiro a exercer a relatoria-geral foi Miguel Corrêa (PT), ocupante do cargo relativo ao Orçamento da União de 2014, analisado pela comissão em 2013. Apesar de Domingos Sávio ter usado no debate o termo "Comissão de Orçamento da Câmara", o nome oficial é Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, órgão do Congresso formado conjuntamente por deputados e senadores. "O Senado que indica os membros da Agência Nacional de Mineração." g1 #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: O papel do Senado é sabatinar e votar para aprovar ou rejeitar as indicações presidenciais, de acordo com a lei 13.575, de 26 de dezembro de 2017, que criou a Agência Nacional de Mineração (ANM). Segundo o artigo 33 da lei, "o Diretor-Geral e demais Diretores serão nomeados pelo Presidente da República", que serão "previamente aprovados pelo Senado Federal". A Diretoria Colegiada da ANM é composta por cinco integrantes: um diretor-geral, dois diretores, e dois diretores-substitutos. Manoel Carvalho (MDB) "O modelo alemão prevê mandato de 12 anos [para ministros da Suprema Corte], sem recondução." g1 É #FATO. Veja por quê: O Tribunal Constitucional Federal da Alemanha (Bundesverfassungsgericht, em alemão), equivalente ao Supremo Tribunal Federal (STF), é composto por 16 ministros, com 40 anos de idade ou mais, que podem ficar até 12 anos no cargo. Metade dos ministros é eleito pelo Bundestag (o Parlamento local), e a outra metade, pelo Bundesrat (semelhante ao Senado brasileiro, mas com representantes indicados pelos estados federados da Alemanha). Pelo menos seis ministros precisam ser escolhidos entre os juízes de Tribunais Federais. Os demais podem ser pessoas habilitadas a exercer cargo judicial, segundo Lei Judiciária Alemã. A Corte local informa que, para "garantir a independência dos juízes", eles não podem ser reeleitos. O mandato termina ao final do período determinado, ou quando o ministro atinge a idade de aposentadoria, que é 68 anos. Marcelo Aro (PP) "Hoje em Minas Gerais, nós temos 4 milhões de pessoas na informalidade." g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: A taxa de informalidade da população ocupada em Minas Gerais ficou em 36,5% no segundo trimestre de 2026. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em agosto. Esse número representa 4,02 milhões de pessoas ocupadas informalmente em Minas Gerais, como mostra o detalhamento disponível no painel da PNAD Contínua. A PNAD Contínua pesquisa, periodicamente, características gerais da população, trabalho, rendimento, habitação e educação. "Quando eu fui secretário de Governo do Estado de Minas Gerais, em um ano na Secretaria, eu enviei R$ 2 bilhões pros 853 municípios de Minas Gerais em emendas." g1 #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Quem decide o valor e o destino do dinheiro são os deputados, não o secretário. Cada parlamentar escolhe para que a verba será usada, qual entidade vai recebê-la e qual município será beneficiado. Ao governo, cabe executar o que foi definido – mas a decisão sobre o destino do recurso é da Assembleia estadual. A execução dessas emendas é obrigatória por lei. Desde as Emendas Constitucionais estaduais nº 96/2018 (individuais) e nº 100/2019 (blocos e bancadas), o Executivo é obrigado a executar as emendas impositivas, conforme o art. 160 da Constituição do Estado. Ou seja, a Secretaria de Governo (Segov) de Minas Gerais não "escolhe" enviar: cumpre uma determinação constitucional. Mas o valor (R$ 2 bilhões) e período (um ano) citados por Marcelo Aro no debate conferem em ordem de grandeza. Ele comandou a Segov por 14 meses, entre 15 de fevereiro de 2025 e 2 de abril de 2026. Só no exercício de 2025, foram cerca de R$ 2 bilhões movimentados em emendas parlamentares operacionalizadas pela pasta, segundo o Portal de Emendas Estaduais (SIGCON-MG Saída). Participaram da checagem: Fernanda Bastos, Jorge Fofano, Mel Trench, Pedro Cunha, Rodrigo Salgado e Roney Domingos. VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Agora no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito) GloboPop: clique para ver vídeos do palco de Fato ou Fake