Senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) Edilson Rodrigues/Agência Senado O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Lopes, se reuniu em 2023 com o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para discutir a nomeação do presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação é da Polícia Federal (PF) e consta no relatório da primeira investigação da Operação Sem Desconto, que mira um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Indiciamento de 48 pessoas O documento, que traz o indiciamento de 48 pessoas, foi apresentado pela PF ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator das investigações, na sexta-feira (10). Agora, as conclusões serão encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), que é quem decide se apresenta a denúncia, pede o arquivamento do caso, ou solicita novas diligências. Carlos Lopes foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada. Ele está foragido desde o ano passado. Indicação presidente do INSS O documento da PF diz que o deputado federal, Euclydes Pettersen, foi quem organizou o encontro entre Carlos, da Conafer, e Rodrigo Pacheco, que ocorreu em 1º de fevereiro daquele ano. "As mensagens provam que, no dia da posse dos parlamentares (01/02/2023), possivelmente utilizando os acessos proporcionados por EUCLYDES, CARLOS ROBERTO se reuniu com o Senador RODRIGO PACHECO para tratar da nomeação do Presidente do INSS. Essa nomeação de cargos-chave (Presidente, Diretor de Benefícios e Procurador-Geral) era fundamental para garantir a boa fluidez do esquema e a blindagem contra as auditorias, permitindo que a fraude em massa (Tópico 2) continuasse a gerar a receita ilícita". O deputado mineiro Euclydes Pettersen, que não está em exercício, segundo o registro da Câmara, foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto em novembro de 2025, suspeito de receber propina para defender os interesses dos fraudadores. Ele também foi indiciado. O documento da PF mostra também que, na mesma conversa, Carlos comentou a eleição das mesas da Câmara dos Deputado e do Senado, que "Pacheco" havia sido eleito e que estava "indo encontrar com eles" em uma reunião para decidir o presidente do INSS. "Verifica-se que, no dia seguinte à posse de EUCLYDES e “Pacheco” (02/02/2023), GLAUCO ANDRÉ FONSECA WAMBURG foi nomeado Presidente do INSS, cargo que ocupou até 11/07/2023, quando foi substituído por ALESSANDRO STEFANUTTO". Em nota, o senador disse que nunca esteve com Carlos Lopes e que não discutiu a indicação de pessoas à presidência do INSS. "Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes e a senhora Bruna Braz. Nunca me reuni para tratar de indicação da pessoa de Glauco André Fonseca Wamburg que, aliás, eu sequer sabia que haviai sido presidente do INSS. Também nunca fiz indicação alguma para o INSS e não conheço seus diretores e ex-diretores. Parece se estar diante de uma confusão de informações que misturou a notícia da minha eleição para presidente do Senado, um fato nacional mencionado por um cidadão de Minas Gerais, com outros assuntos que não me dizem respeito. A referência a ir se 'encontrar com eles' por certo não me inclui", afirma a nota de Pacheco. LEIA TAMBÉM: Deputado de Minas e ex-ministro de Bolsonaro estão entre os indiciados pela PF por suspeita de fraudes no INSS 'Heróis', 'notáveis' e 'amigos': PF detalha pagamentos volumosos a agentes públicos, que recebiam apelidos dos fraudadores do INSS Carlos Lopes está foragido desde o ano passado. O irmão dele, Tiago Abraão Lopes, que também é dirigente da Conafer, também foi indiciado no relatório policial.
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July 15, 2026 at 3:09 AM
PF diz que Pacheco se reuniu com dono de associação investigada para discutir nomeação de presidente do INSS; senador nega
G1 Política