O ministro Alexandre de Moraes em sessão da Primeira Turma do STF Luiz Silveira/STF Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra que 34% dos entrevistados defendem o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele seja investigado após a revelação do relatório da Polícia Federal que cita mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, a um número que os investigadores atribuem a Moraes. Outros 28% acreditam que ele deveria sofrer um processo de impeachment pelo Senado. A investigação da PF, que se tornou pública por decisão do ministro André Mendonça, responsável no STF pela condução das investigações sobre o Master, traz ainda referências a encontros entre Vorcaro e Moraes e pedidos de orientação e proteção. No levantamento do Datafolha, 13% avaliam que o ministro deveria renunciar ao cargo no Supremo. Dos que consideram que nada deveria acontecer ao ministro, 7% avaliam que não há nada de errado nas mensagens entre Moraes e Vorcaro; 5% pensam que o vazamento das investigações foi ilegal. 13% preferiram não opinar. Pergunta: o que deveria acontecer com Moraes após a revelação da troca de mensagens com Daniel Vorcaro? Deveria se afastar por um tempo do cargo para uma investigação ser feita: 34% Deveria renunciar ao cargo: 13% Deveria sofrer um processo de impeachment pelo Senado: 28% Nada, porque não há nada de errado nas mensagens: 7% Nada, porque o vazamento de conversas das investigações foi ilegal: 5% Não sabe: 13% O Datafolha perguntou também se a revelação dessas conversas afeta a decisão de voto para presidente. As respostas: Não mudou nem deve mudar o voto: 85% Não mudou, mas deixou em dúvida: 7% Mudou de ideia sobre o voto para presidente: 4% Não sabe: 4% Grau de conhecimento sobre o caso 26% afirmam que estão bem informados sobre o caso 33% afirmam que estão mais ou menos informados 7% afirmam que estão mal informados 32% não tomaram conhecimento sobre o caso 2% não souberam responder O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e pela Globo. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-01833/2026. Agora no g1 Crise no STF se intensificou nas últimas semanas A crise no Supremo Tribunal Federal se intensificou após a divulgação de um relatório da Polícia Federal (PF) produzido no âmbito do caso do banco Master. Tornado público em 1º de setembro por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF, o documento reúne mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um contato atribuído pelos investigadores ao ministro Alexandre de Moraes, além de referências a encontros e pedidos de orientação e proteção diante do avanço das investigações. Os ministros Edson Fachin, André Mendonça, Flávio Dino e Alexandre de Moraes Alejandro Zambrana/STF, Antonio Augusto/STF e Gustavo Moreno/STF Parte das mensagens foi trocada nos dias anteriores à primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Como o material foi extraído do celular do ex-banqueiro, o relatório não contém eventuais respostas de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade do documento, e o plenário do Supremo deverá decidir sobre os próximos passos. O conflito ganhou nova dimensão em 3 de setembro. Com base em relatórios internos de inteligência da PF, Moraes sustentou haver indícios de irregularidades na atuação de Mendonça, citando, em tese, improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e possível favorecimento político na condução de apurações relacionadas aos casos Master e INSS. Os documentos, porém, continham ressalvas de que não havia valor probatório nas informações. Com base nesses elementos, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado no inquérito das fake news, do qual era relator. Mendonça, por sua vez, afirmou ter sido alvo de monitoramento pela PF e apontou possíveis irregularidades na elaboração dos documentos usados contra ele. Depois, Fachin retirou esse pedido do inquérito das fake news e tirou de Moraes a relatoria. Afastamento e reintegração de diretores da PF A disputa também alcançou o comando da Polícia Federal. No dia 8, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. O ministro disse que a PF o submeteu a monitoramento ilegal. No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Rodrigues e Almada, em uma nova decisão, paralela à de Mendonça. Em seguida, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas medidas conflitantes — a de afastamento e a de reintegração —, o que manteve Andrei no cargo, e pediu explicações ao diretor-geral da PF. Em manifestação enviada a Fachin nesta sexta-feira (11), Andrei Rodrigues negou que a PF tenha monitorado Mendonça e afirmou que os relatórios foram produzidos de forma regular pela área de inteligência da corporação e encaminhados a Moraes em cumprimento de ordem judicial. Fachin convocou para terça-feira (15) uma sessão extraordinária do plenário para discutir o relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes e o encaminhamento do caso. Além disso, determinou a abertura integral dos documentos vinculados ao Master sob a relatoria de Mendonça. O objetivo é assegurar que os ministros tenham acesso ao acervo antes da sessão.
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September 12, 2026 at 8:22 PM
Datafolha: 34% dizem que Moraes deveria ser afastado; 28% defendem impeachment
G1 Política