Após retomar diálogo mais próximo com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicano-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu acordos para as pautas prioritárias do governo em ano eleitoral. Para Motta e Alcolumbre, os resultados da aproximação devem vir no próximo ano. Entre os interesses que levaram à reaproximação do trio estão três eleições, ou, no caso, reeleições. Agora no g1 Para Lula, o avanço de pautas como as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) do fim da escala 6x1 e da Segurança Pública e o fim da taxa das blusinhas apelam diretamente ao eleitorado em meio à sua campanha por um quarto mandato. Alcolumbre diz que Congresso votará MP da taxa das blusinhas na próxima semana, e CCJ do Senado analisará 6x1 e PEC da Segurança As propostas devem ser analisadas pelo Congresso Nacional na próxima semana. A campanha petista já tem aproveitado os avanços nos diálogos. A possibilidade de a PEC do fim da escala 6x1 ser aprovada já é colocada nos materiais publicitários como “uma conquista histórica”. Já para Motta, o apoio de Lula ajuda em sua campanha de reeleição como deputado federal pela Paraíba. Outro beneficiado é seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), que tenta o Senado no mesmo estado. Formalmente, o PT apoia somente um candidato para o Senado na Paraíba: João Azevedo (PSB). A segunda vaga na chapa de Lula está em disputa por Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e por Nabor. O alinhamento de Lula com Motta facilita um apoio, ainda que informal, à candidatura de seu pai. Nesse sentido, Motta entrou em acordo com Alcolumbre e Lula para votar até quarta-feira (2), a Medida Provisória (MP) que acaba com a chamada taxa das blusinhas, imposto cobrado de compras internacionais de até US$ 50. O tema tem apelo popular e é uma prioridade para a campanha do petista. Outro ponto central é que Motta tem a possibilidade de concorrer a mais dois anos como presidente da Câmara, caso se reeleja deputado. Para isso, precisará do apoio do campo governista — ainda mais em um cenário no qual Lula também consiga se reeleger como presidente da República. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos- PB) Ricardo Stuckert A eleição de 2027 Cálculo similar ao de Motta é feito por Davi Alcolumbre. O atual presidente do Senado tem direito a tentar se reeleger para o próximo biênio e assim continuar à frente do Congresso Nacional, ambição que ele não esconde de nenhum de seus colegas senadores. O pleito de Alcolumbre é visto como legítimo por parte do Senado. No entanto, nos últimos meses, o Partido Liberal, do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, tem reforçado uma estratégia para levar um senador do próprio PL ao comando do Congresso. Para o grupo bolsonarista, essa seria uma forma de conseguir avançar com pautas como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Pelas regras atuais, somente o presidente do Senado pode dar continuidade a um pedido de processo de retirada de um ministro do STF. A depender do resultado das eleições para senador, uma das prioridades declaradas tanto no campo da esquerda quanto no da direita bolsonarista, Alcolumbre pode enfrentar maior resistência para conseguir se manter na cúpula do Senado. As eleições para os presidentes do Congresso serão realizadas em fevereiro de 2027. Reaproximações O fortalecimento da relação de Lula com Hugo Motta começou há meses. Um desses momentos foi justamente o avanço do fim da 6x1 na Câmara, ainda em maio deste ano. Os detalhes da proposta foram negociados diretamente entre ambos. Outras pautas prioritárias para o governo, como a PEC da Segurança Pública, a política nacional para minerais críticos e os incentivos para a instalação de datacenters, também foram aprovadas na Câmara. Em agosto, já durante as eleições, Lula convidou Motta para viajar com ele até o Rio Grande do Norte. Os dois viajaram no mesmo voo, no avião presidencial, e discutiram pautas de interesse do petista. Já a reaproximação de Lula com Alcolumbre foi mais demorada e turbulenta. Os dois presidentes deixaram de se falar na época da indicação de Lula e subsequente negativa do Senado ao nome de Jorge Messias para uma vaga no STF. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde 1894. Depois disso, eles só voltaram a conversar em agosto. Com a campanha oficial prestes a começar, Lula e Alcolumbre se reaproximaram e, em menos de 15 dias, chegaram a acordos sobre as pautas prioritárias do governo petista. Isso incluiu ainda a indicação de aliados de Lula para a relatoria dos projetos que estavam engavetados no Senado.